Em meio a momentos íntimos, muitos se veem lutando contra a própria imagem. O corpo está ali, mas a mente vagueia, perdida em comparações com padrões de beleza muitas vezes inalcançáveis, reforçados por redes sociais. Barriga, cicatrizes e estrias se tornam fontes de insegurança, criando uma barreira invisível que impede a conexão emocional durante o sexo. Essa desconexão é um alerta que a psicóloga Roberta Ribeiro Pinto, da Hapvida, traz à tona, especialmente em períodos como setembro, que celebra tanto o Dia Mundial da Saúde Sexual quanto o Dia do Sexo.
A relação entre imagem corporal, autoestima e sexualidade vai além de datas comemorativas. “A forma como nos percebemos impacta diretamente nossos relacionamentos, especialmente na intimidade. Como nos vemos influencia como os outros nos veem. Por isso, desconstruir uma visão negativa de si mesmo é fundamental para retomar uma vida sexual saudável”, explica Roberta.
A exposição constante a corpos considerados ideais e performances perfeitas nas redes sociais intensifica essa problemática. “Essas imagens funcionam como uma régua que muitos usam para avaliar seu próprio corpo e sua capacidade de ser desejado. O cérebro humano, sendo tão visual, aprende e tende a se comportar conforme as imagens que consome”, observa a psicóloga.
Esse cenário pode levar a uma preocupação excessiva com a aparência durante momentos íntimos, resultando em hesitação quanto a posições, cobrir partes do corpo ou até evitar novas experiências. Roberta ilustra essa situação: “Imagine alguém que, ao rolar o feed, se depara repetidamente com vídeos que promovem padrões irreais de beleza e relacionamentos. Essa pessoa, no momento de intimidade, pode acabar se distraindo com essas comparações, prejudicando a experiência.”
Aparência e performance
A pressão para se encaixar em padrões de beleza não se limita à aparência física. A psicóloga ressalta que a exposição a conteúdos que idealizam o desempenho sexual pode gerar expectativas irreais, especialmente entre os homens. “A visualização constante de performances sexuais pode criar uma referência distorcida sobre como as relações deveriam ocorrer, levando a comparações com a realidade, o que pode impactar negativamente o desempenho sexual”, comenta Roberta.
Esse fenômeno frequentemente resulta na busca por soluções rápidas, como medicamentos para melhorar o desempenho, que podem ter consequências além da intimidade. “A dependência excessiva de tais soluções não é a resposta ideal”, alerta a especialista.
Mudanças naturais
Transformações físicas são parte da vida, como gravidez, menopausa e envelhecimento. “Quando alguém tem uma imagem idealizada do próprio corpo e se depara com mudanças, isso pode afetar sua percepção de desejabilidade. É preciso lembrar que essas mudanças são naturais e fazem parte do ciclo da vida”, destaca Roberta.
Ela enfatiza a importância de referências positivas e de um espaço seguro para discutir inseguranças. “O autoconhecimento envolve reconhecer que o corpo não é imutável”, complementa a psicóloga.
O elogio ajuda
O processo de reestruturação da relação entre corpo e mente não precisa ser solitário. O parceiro pode desempenhar um papel crucial ao criar um ambiente de apoio e afeto. “Todos nós apreciamos elogios e a presença do outro. Compartilhar a intimidade, discutir preferências e inseguranças pode transformar o sexo em uma experiência de conexão, ao invés de uma mera performance”, sugere Roberta.
“Isso está intimamente ligado ao autoconhecimento e tem um impacto significativo, pois a saúde sexual é uma extensão da saúde mental”, conclui.
Sentir-se desejável
Desejar mudanças na aparência não é um problema em si, desde que essas mudanças sejam frutos de escolhas pessoais, e não imposições externas. Para Roberta, romper com padrões prejudiciais requer autoconhecimento e aceitação das transformações que ocorrem ao longo da vida.
<p“O verdadeiro desafio é reconhecer essas mudanças sem permitir que elas definam nosso valor ou nossa capacidade de vivenciar a sexualidade plenamente. O objetivo final é estar presente, tanto para si quanto para o outro”, finaliza a psicóloga.










